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2026-07-29 10:32:18 (2 weeks ago)
OpenAI diz que ataque de sua IA atingiu mais alvos do que se sabia

OpenAI diz que ataque de sua IA atingiu mais alvos do que se sabia
Getty Images via BBC
A OpenAI, criadora do ChatGPT, revelou que o ataque cibernético realizado por alguns de seus modelos de inteligência artificial mais avançados atingiu mais de uma empresa.
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Acreditava-se que a Hugging Face, uma espécie de biblioteca digital de tecnologia muito usada por desenvolvedores, era a única vítima do ataque sem precedentes. Mas a OpenAI agora admitiu que seu bot atacou diversos "serviços disponíveis publicamente".
A IA descontrolada encontrou quatro logins online que lhe permitiram acessar quatro serviços distintos e não identificados.
Enquanto isso, em uma reunião de emergência com centenas de profissionais de segurança cibernética, a Hugging Face descreveu como foi estar do outro lado do primeiro ataque de IA totalmente autônomo do mundo.
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A empresa descreveu que a IA operou em velocidade sobre-humana, mas também tomou decisões estranhas e cometeu erros que nenhum hacker humano teria cometido.
A Hugging Face, que funciona como uma loja de aplicativos para ferramentas de IA, afirmou que os agentes hackers trabalharam incansavelmente com milhares de métodos diferentes testados simultaneamente.
A empresa revelou pela primeira vez que havia sido hackeada por alguém usando uma IA autônoma poderosa em 16 de julho e denunciou o caso à polícia.
Quase uma semana depois, a OpenAI admitiu que foi sua IA que escapou de um ambiente fechado e atacou a Hugging Face por conta própria durante um teste.
A IA estava tentando encontrar as respostas para um teste de hacking que havia sido elaborado pela OpenAI e atacou a Hugging Face.
Nesta quarta-feira (29/07), a OpenAI atualizou sua declaração para incluir o detalhe adicional de que o ataque foi além do que se pensava inicialmente.
"Os modelos identificaram e usaram credenciais expostas publicamente em nível de conta em outros serviços disponíveis publicamente. Isso inclui quatro contas em quatro serviços como parte do incidente com a Hugging Face", disse a empresa.
A OpenAI não esclareceu se, com "serviços disponíveis publicamente", estava se referindo a empresas.
Comportamentos desajeitados
Na terça-feira (28), a Cloud Security Alliance (CSA), associação do setor, publicou um relatório baseado em uma reunião de emergência com a Hugging Face realizada na semana anterior — relatório esse que a própria Hugging Face revisou.
"Os agentes seguiram rotas ineficientes e exibiram comportamentos desajeitados que nenhum humano escolheria", escreveu a CSA.
Ainda segundo o relatório, os agentes repetiram ações que já haviam concluído — um sinal de uma IA perdendo o fio da meada e o contexto.
Eles também teriam alucinado com uma série de comandos e textos incoerentes, agido de forma descuidada e não apagado seus rastros adequadamente.
Mas, em meio aos erros e comportamentos estranhos, a Hugging Face alertou que os agentes de IA também fizeram movimentos técnicos brilhantes e foram capazes de se adaptar rapidamente a novos cenários durante o ataque, que durou vários dias.
Jurassic Park
Foram necessários três dias para que os agentes fossem descobertos dentro da rede de TI da Hugging Face, e os especialistas em IA e segurança cibernética da empresa levaram várias horas para conter e expulsar os invasores — algo com que empresas comuns teriam dificuldades.
A empresa não revelou o custo do ataque, mas afirmou que a equipe trabalhou por muitas horas para reconstruir cerca de um terço de sua infraestrutura.
A Hugging Face foi elogiada por sua transparência ao relatar o ocorrido ao setor de IA e segurança cibernética.
A CSA alertou que o incidente demonstra que os agentes de IA "encontraram um meio" — uma referência à frase "a vida encontra um meio", dita pelo personagem Dr. Ian Malcolm, no filme Jurassic Park, em relação à capacidade da natureza de se adaptar.
"Eles são orientados por objetivos, definem suas próprias submetas, adaptam-se em tempo real para contornar defesas e operam com uma persistência na velocidade de uma máquina que pode sobrepujar operações manuais", diz o relatório.
OpenAI diz que ataque de sua IA atingiu mais alvos do que se sabia
Getty Images via BBC
O oficial de segurança cibernética Ritesh Patel, que participou da reunião de emergência da Hugging Face com cerca de 450 outras pessoas, afirma que o setor está trabalhando arduamente para lidar com a nova ameaça de agentes de IA maliciosos.
"Esta é a realidade dos agentes autônomos movidos por modelos de ponta: eles são implacavelmente persistentes, às vezes extremamente ruidosos e tentarão todos os caminhos possíveis para atingir seu objetivo, o que pode facilmente sobrecarregar as defesas tradicionais", disse ele.
A hacker ética Valentina Palmiotti — mais conhecida como Chompie — analisou o relatório da CSA e afirma que a maneira como os agentes hackeiam pode parecer aleatória, mas é claramente eficaz.
"Eles lançam um monte de coisas e veem o que funciona", disse ela.
"Mas eles também não se entediam, não dormem e podem ser infinitamente tenazes."
Comportamento descontrolado
Esta não é a primeira vez que agentes de IA demonstram comportamento "descontrolado".
O relatório da CSA cita exemplos anteriores, como o de setembro de 2024, quando um modelo anterior do ChatGPT "escapou" para obter uma resposta necessária para outro teste.
Esse evento foi contido nos próprios sistemas de TI da OpenAI, observou a CSA.
Mas, segundo o documento, o comportamento "descontrolado" "é a norma, não a exceção".
O relatório também alerta os profissionais de segurança cibernética em todo o mundo sobre a necessidade de se adaptarem ao novo normal de enxames de agentes de IA trabalhando rapidamente de maneiras estranhas e desajeitadas, o que pode levar a mais violações de segurança.
O documento ainda instou pessoas que usam ou desenvolvem agentes de IA a serem responsáveis na forma como os controlam, defendendo alguma maneira para que os defensores da segurança cibernética descubram quem é o proprietário final dos agentes, a fim de aumentar a transparência.
Relatórios anteriores sugerem que a OpenAI levou quatro dias para perceber que sua IA havia hackeado a Hugging Face.
A OpenAI afirmou que divulgará em breve as conclusões de sua própria investigação para ajudar as pessoas a aprenderem com o ocorrido.
Reportagem adicional de Osmond Chia
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2026-07-29 10:19:51 (2 weeks ago)
Brasil e Argentina já estiveram em guerra?

Caçadores brasileiros repelindo a cavalaria argentina na Batalha de Passo do Rosário, em tela de José Washt Rodrigues de 1937
Domínio público
A rivalidade entre brasileiros e argentinos é recheada de episódios que transcendem as piadas, as provocações de parte a parte e o mundo do futebol.
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Muito antes das rusgas provocadas por declarações públicas do atual presidente de direita radical Javier Milei, os dois mais importantes países sul-americanos já lutaram em lados opostos em duas guerras, viveram tensões por conta de fronteiras e um século 20 de constantes estranhamentos e atritos — praticamente uma longa guerra fria, só plena e oficialmente pacificada com a assinatura do tratado que criaria o Mercosul, em 1991.
"Conflitos entre Brasil e Argentina remetem ao período em que ambos os países ainda não eram nações, quando portugueses e espanhóis, colonos, bandeirantes, jesuítas e povos originários, já conflitavam acerca de interesses principalmente na região da Bacia do Prata", lembra o historiador Victor Missiato, pesquisador no Instituto Mackenzie.
"Brasil e Argentina já estiveram em guerra, e foram duas", afirma o historiador Fábio Ferreira, professor na Universidade Federal Fluminense (UFF) e criador do canal no YouTube e da revista Tema Livre.
Agora no g1
Mas ele faz uma ressalva importante: na época, a Argentina ainda não era um Estado nacional constituído como hoje — e o Brasil era um império.
A primeira guerra de fato entre os dois países remonta a uma época em que o Brasil era um império recém-independente de Portugal e a Argentina ainda não havia se organizado em um Estado federativo — vivia uma longa guerra civil, concluída apenas em 1861 em consequência da sua independência da Espanha. Desta forma, oficialmente a contenda foi protagonizada pelo Império do Brasil contra as Províncias Unidas do Rio da Prata.
Embarque da Divisão de Voluntários Reais para a Cisplatina em 1816, em tela de Debret feita em1825
Domínio público
O Uruguai como tampão
Esta pioneira disputa bélica entre Brasil e Argentina foi a Guerra da Cisplatina. Historiadores argentinos, aliás, costumam chamar o episódio de Guerra do Brasil ou de Guerra Argentino-Brasileira. O episódio ocorreu entre 1825 e 1828. Em disputa, estava o controle da Província Cisplatina, território hoje correspondente em grande parte ao Uruguai.
Em linhas gerais, a raiz da questão está no fato de que a Cisplatina havia sido incorporada pelo então Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves, em 1821.
"A região estava em processo de intensa guerra civil desde 1810", diz Ferreira. O governo português havia conquistado a região porque se preocupava tanto com a navegação nos rios de lá quanto com a "própria integridade territorial" do Brasil, pontua o historiador. Os portugueses se aliaram com elites locais e puseram um governador em Montevidéu.
"Com a Independência do Brasil, houve uma divisão: para onde iria a Cisplatina", conta Ferreira. "Diversos grupos não queriam a manutenção do vínculo com o Império do Brasil."
Mas a anexação da região se manteve depois da independência brasileira de Portugal. Em 1825, contudo, uma insurreição sulista, organizada por um grupo chamado de Trinta e Três Orientais, proclamou a separação da província.
Ferreira explica que houve apoio do governo de Buenos Aires e campanhas militares buscando essa desvinculação do império brasileiro. Depois de apenas observar por um tempo, o imperador Pedro 1º (1798-1834) declarou guerra aos argentinos.
Passagem do Tonelero durante a Guerra do Prata (1851-52), em tela de Eduardo de Martino feita em 1880
Domínio público
Pesquisador do período imperial brasileiro e autor de livros sobre personagens dessa época, o youtuber Paulo Rezzutti acredita que "a rivalidade histórica entre Espanha e Portugal" pelo controle do Rio da Prata acabou sendo herdada pelos países sul-americanos — e isso incensou o início do conflito cisplatino. "É a mesma rivalidade geopolítica histórica que acabou sendo incorporada pelas populações em geral", comenta ele.
Houve batalhas terrestres e operações navais no Atlântico Sul e no estuário platino. O desfecho veio com a interferência britânica — os ingleses tinham interesses comerciais no equilíbrio de poder regional. O resultado foi a criação de um novo país, o Uruguai.
"O acordo de paz, em 1828, criou o que depois se tornaria a República Oriental do Uruguai", diz Ferreira.
"Muitos chamam a solução de 'criação de um país-tampão', justamente para estancar a rivalidade entre Brasil e Argentina pelo controle da região do Prata", comenta Missiato.
Para ele, embora nenhum dos dois países tenha conquistado o território em disputa, a situação foi mais benéfica para a Argentina, que não só afastou o Brasil daquele entorno como passou a ter uma proximidade cultural e linguística maior com o novo país.
Contra Rosas
Entre 1851 e 1852, houve um novo conflito bélico que opôs Brasil e Argentina: a Guerra do Prata.
A contenda foi desencadeada pela ascensão do oficial militar Juan Manuel de Rosas (1793-1877) como ditador argentino e sua vontade de manter Paraguai e Uruguai sob suas esferas de influência, deixando o Brasil de escanteio — no horizonte de seus planos estava a eventual recriação de uma unidade política regional semelhante ao antigo Vice-Reinado da Prata.
Sob o pretexto de que isso feria a soberania do império, já que tais planos incluiriam terras da então província do Rio Grande do Sul, a corte do Rio de Janeiro declarou guerra. Formou-se uma aliança com Uruguai, Paraguai e forças argentinas contrárias ao ditador.
"Essa aliança pretendia derrubar o governo de Rosas", resume Ferreira. Depois de diversas batalhas, a de Monte Caseros, em 1852, marcou o fim da guerra, com vitória para os aliados contra os argentinos.
"Com isso, o Brasil evitou uma expansão territorial argentina que estava no radar do presidente Rosas", diz Missiato. O ditador deposto conseguiu fugir e exilou-se no Reino Unido, onde passaria o resto da vida.
Na década seguinte, ambos os países estiveram no mesmo time. Era a Guerra do Paraguai, conflito que durou de 1864 a 1870, em que Brasil, Argentina e Uruguai lutaram contra o Paraguai. Missiato lembra, entretanto, que nem tudo foi amizade entre brasileiros e argentinos — "houve conflitos diplomáticos" em diversos momentos entre os países.
Pelas fronteiras
O outro grande incidente entre os dois países data de um período em que ambos já eram Estados plenamente constituídos e republicanos.
Ferreira salienta que, se for considerado esse período em que ambas as nações estavam plenamente constituídas, também é possível dizer que Brasil e Argentina nunca estiveram em guerra armada. "Isso não significa que não houve desconfianças múltiplas e interesses conflitantes", ressalta.
Neste terceiro episódio, portanto, o atrito não chegou às armas. Entre 1890 e 1895, Brasil e Argentina empreenderam uma disputa pela posse de parte dos hoje Estados brasileiros de Santa Catarina e Paraná. O episódio ficou conhecido como Questão de Palmas. "Os dois países discordavam quanto aos limites territoriais", contextualiza Ferreira. "As fronteiras ainda estavam indefinidas."
Na realidade, não havia consenso sobre uma extensa área de terras no oeste desses Estados. Argentinos citavam o Tratado de Madri, de 1750, para argumentar que a fronteira seria no curso dos rios Chapecó e Chopim. O Brasil não concordava. Para demarcar posição, o governo imperial de Pedro 2º (1825-1891) mandou fundar ali duas colônias militares em 1882.
Depois da proclamação da República, o então ministro das Relações Exteriores Quintino Bocaiúva (1836-1912) chegou a assinar um acordo que previa a divisão da região entre as duas nações. Mas o documento acabou rechaçado pelo Congresso, que entendia que o diplomata havia extrapolado suas atribuições e cedendo demais ao país vizinho.
O caso foi submetido à arbitragem internacional e o encarregado de decidir foi o então presidente dos Estados Unidos, Grover Cleveland (1837-1908). Para defender os interesses brasileiros, foi nomeado o diplomata e advogado José Paranhos Júnior (1845-1912), o Barão do Rio Branco. "Ele teve papel fundamental para essa conquista", ressalta Missiato.
Rio Branco preparou um amplo arrazoado em seis volumes em torno do argumento de que, a partir do princípio do uti possidetis — ou seja, quem de fato ocupa, tem a posse — aquelas terras deveriam ser consideradas brasileiras. Vitória do Brasil.
Passagem do Tonelero durante a Guerra do Prata (1851-52), em litografia de Alejandro Bernheim e Carlos Penutti
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Quase guerra
Ao longo do século 20 a relação entre os dois países também teve episódios de atritos mais intensos. "Mas as coisas ganharam contornos mais burocráticos e diplomáticos", diz Missiato.
"No início do século passado, quando o Brasil empreendeu seu rearmamento naval, houve insatisfação de setores políticos argentinos. Mas isso não significou rompimento nas relações", lembra Ferreira.
Mas quase houve guerra. Conforme conta a historiadora Érica Cristina Alexandre Winand, em sua tese de doutorado defendida em 2010 na Universidade Estadual Paulista (Unesp), o episódio ocorreu na presidência de Figueroa Alcorta, entre 1906 e 1910, quando foi ministério das Relações Exteriores da Argentina o jurista Estanislao Zeballos (1854-1923) — "declarado antibrasileirista", ressalta ela.
Utilizando-se do jornal do qual havia sido um dos fundadores, o La Prensa, ele patrocinou uma campanha de hostilidades ao Brasil, argumentando que o "ultraprotecionismo" econômico que estaria sendo praticado pelos brasileiros estava "desmoronando a economia" da Argentina.
Em carta do próprio Zeballos, ele admitia que havia sugerido ao governo argentino que formalizasse um pedido de "partilha da esquadra" brasileira e, em caso de negativa ou de não resposta em oito dias, o Rio de Janeiro seria invadido. "Segundo os ministros da Guerra e da Marinha era um ponto estudado e fácil, pela situação indefesa do Brasil", escreveu ele.
O ministro foi forçado a renunciar. "Até o apaziguador Rio Branco estava consciente de que a alternativa à saída de Zeballos era a guerra contra a Argentina", diz a historiadora, na tese.
Tensões, Itaipu e energia nuclear
Durante a Segunda Guerra, quando o Brasil se alinhou ao lado dos Aliados, em 1942, houve animosidades. Os argentinos desconfiavam que o Brasil fosse um títere dos norte-americanos a buscar influências no sul. A Argentina só deixaria a neutralidade na Segunda Guerra em 1944 — também contra o Eixo. "Eles nos viam como espécie de agentes dos Estados Unidos na América do Sul", comenta o historiador Ferreira.
Outro momento de intensas rusgas foi quando o Brasil construía a Usina de Itaipu, de 1975 a 1982. Nos escaninhos dos poderes, circulava o temor de que, em eventual conflito, os brasileiros poderiam abrir as comportas da usina completamente — e isso supostamente inundaria Buenos Aires.
Para o historiador Missiato, foi um momento de tensão diplomática que gerou uma corrida discursiva e tecnológica. Era um período em que ambos os países desenvolviam seus programas nucleares — para fins meramente de utilizar a tecnologia para obtenção de energia elétrica, ressalte-se.
Mas, nessa verdadeira guerra fria entre Brasil e Argentina, não faltavam desconfianças de parte a parte. Diversas tratativas diplomáticas e conversas entre lideranças foram necessárias. Como diz a historiadora Winand, "fazia-se premente ampliar as bases da confiança mútua e da transparência neste campo, a fim de eliminar suspeitas de agressão mútua". Em sua tese, ela classifica a questão nuclear entre os dois países de "sutil".
Ferreira ressalta que as disputas entre Brasil e Argentina também sempre tiveram em seu cerne o desejo de ambos os países de "influenciar os destinos dos vizinhos", assumindo posição de hegemonia no continente sul-americano.
"Tudo parecia resolvido com a redemocratização", afirma Missiato, lembrando que os então presidentes brasileiro José Sarney e argentino Raúl Alfonsín (1927-2009) iniciaram a aproximação que desencadearia no Mercosul na década seguinte.
A amizade entre Brasil e Argentina seria selada em 1991, finalmente. "A rivalidade histórica se diluiu após o tratado", afirma Missiato.
Resta saber se resistirá ao episódio desencadeado pelas farpas do atual presidente argentino. "Menos de 100 anos depois da Questão de Palmas houve a assinatura do Mercosul. Se analisarmos do ponto de vista historiográfico, em um período relativamente curto, passamos a estar unidos", analisa Ferreira. "Que a rivalidade entre Brasil e Argentina se restrinja apenas ao futebol."
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