New York Times - World News
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2026-08-01 04:49:40 (2 weeks ago)
Russia Strikes Ukraine With Missiles and Drones, Killing at Least 8
President Volodymyr Zelensky of Ukraine said five members of a family had been killed in the latest large-scale aerial assault by Moscow.
RT News - Top Stories
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2026-08-01 04:43:29 (2 weeks ago)
Egypt uncovers ancient tombstones (PHOTOS)
Egyptian archaeologists have uncovered carved tombstones coffins and ritual artifacts at Tel El-Deir
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Times of Israel - World News
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2026-08-01 04:30:03 (2 weeks ago)
Firefighters in Greece struggle to save coastal resort as winds rage
Over 300 firefighters battling wildfire near Porto Germeno, one of several blazing across nation; hundreds of residents rescued by sea after ignoring evacuation warnings
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Times of Israel - World News
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2026-08-01 04:29:36 (2 weeks ago)
France and Italy tighten border controls amid Spanish migrant crisis
Calls mount to suspend Spain from Europe's passport-free Schengen zone after some 60,000 migrants enter Spain's Ceuta from Morocco
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France 24 - World News
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2026-08-01 04:17:26 (2 weeks ago)
Middle East live: Kuwait says it destroyed hostile Iranian drones targeting vital facilities
Kuwait's army on Saturday said it had destroyed hostile Iranian drones in the country's airspace, in what it described as an attack targeting several vital facilities in the country. A government facility in northern Kuwait and a civilian property were hit, the army said, but no casualties were reported. Follow our liveblog for the latest updates.
Times of India
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2026-08-01 04:07:14 (2 weeks ago)
Minnesota's largest coal plant is now wiring 1.7 million solar panels powering 150,000 homes
The largest coal plant in Minnesota is transitioning to embrace renewable energy by hosting a substantial solar farm. Leveraging the existing transmission systems of the coal facility, the Sherco Solar project is now recognized as the most extensive solar installation in the state. This forward-thinking initiative accelerates grid connection for new energy innovations, with exciting plans for future development and battery storage integration.
Fox News - Video
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2026-08-01 04:01:13 (2 weeks ago)
The Ingraham Angle - Friday, July 31
Iran, Trump ,Nancy Guthrie
Globo News - Mundo
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2026-08-01 04:00:53 (2 weeks ago)
O Brasil tem margem para negociar o tarifaço de Trump?

Lula e Trump se encontraram pela última vez na Casa Branca em maio
Ricardo Stuckert / PR
Em uma cerimônia na última quarta-feira (22/07) o presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi categórico ao afirmar que o Brasil seguia na mesa de negociação para tentar reverter as tarifas de 25% impostas pelos Estados Unidos sobre uma série de produtos brasileiros.
"A gente não vai sair da mesa de negociação. Eles que digam que não querem negociar, porque nós vamos estar lá sentados na mesa, fazendo proposta toda vez e desafiando eles a provarem que eles tinham alguma razão de taxar o Brasil porque são deficitários conosco", disse Lula durante evento no Palácio do Planalto, lembrando que há décadas os EUA acumulam superávit com o Brasil.
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Mas analistas apontam que a questão vai muito além da balança comercial. Em um momento em que os Estados Unidos buscam rever acordos multilaterais, combater o avanço da influência chinesa e se impor economicamente de forma mais agressiva, especialistas salientam que o Brasil não deveria encarar as tarifas somente como uma discussão puramente técnica. Haveria mais em jogo.
Reino Unido, Japão e a União Europeia assinaram acordos bilaterais com os Estados Unidos nos últimos meses, por exemplo.
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Eles fizeram concessões importantes em troca de mais estabilidade na relação comercial com os americanos, mas ainda enfrentam incertezas, como o anúncio recente de tarifas sobre combate ao trabalho forçado.
Já o Canadá, que assinou um amplo acordo comercial com os EUA de Trump em 2025, também foi alvo neste mês de um novo tarifaço por parte da Casa Branca, levando os canadenses a acusarem Washington de violar o tratado.
Ainda assim, o premiê do Canadá, Mark Carney, disse que pretende "intensificar" as negociações comerciais com Trump.
Com tudo isso em jogo, o Brasil deveria seguir pelo mesmo caminho?
A natureza das tarifas
Para o professor de Daniel Vargas, da FGV Direito Rio, o primeiro passo é estabelecer as diferenças das negociações com os Estados Unidos durante o segundo mandato do presidente Donald Trump.
Segundo ele, as tratativas agora também envolvem aspectos referentes à influência americana na região e a relação política entre os dois países.
“Esse não é apenas um diálogo negocial em sentido estrito. É uma disputa muito mais profunda que envolve tanto questões econômicas e políticas, mas sobretudo questões geopolíticas que se tornaram prioridade para os Estados Unidos”, afirma Vargas.
Ele explica que o caráter político da medida seria a construção de uma afinidade ideológica entre os dois países através de um possível impacto nas eleições brasileiras. O segundo, seria a utilização das tarifas para desincentivar que países mantenham uma relação comercial próxima à China.
"Não é uma tarifa cujo cálculo carrega consigo a esperança de ter um retorno econômico amanhã. É uma tarifa cujo cálculo tem a expectativa de afirmar a autoridade americana e a sua influência geopolítica sobre a região”, diz.
A posição é corroborada pelo professor de relações internacionais do Berea College Carlos Gustavo Poggio.
“É difícil negociar porque não se trata de uma questão técnica. A abertura da investigação no Brasil foi política. Ela começa quando Trump envia uma carta falando sobre Jair Bolsonaro, sobre o Supremo Tribunal Federal”, explica Poggio, em referência a primeira rodada de tarifas anunciadas pelo governo americano em julho de 2025.
A investigação aberta naquela ocasião visava responder a medidas econômicas de países que restringissem o comércio americano e foi encerrada com o anúncio recente de taxação de 25% de produtos brasileiros.
Para Poggio, porém, a aplicação de tarifas estaria mais ancorada em uma visão ideológica do governo Trump, encabeçada pelo Secretário de Estado Marco Rubio, do que uma estratégia de longo prazo que visa afastar a influência chinesa de parceiros comerciais estratégicos.
“O governo Trump não pensa dessa forma porque não existe estratégia, existem impulsos e emoção. Não é algo coerente”, afirma.
Rubio, que é filho de cubanos, é considerado integrante da ala mais ideológica do governo americano e tem tido papel central na relação do governo Trump com países da América Latina.
Houve tentativa de negociar?
O Brasil não se absteve de negociar com os Estados Unidos, segundo o professor Daniel Vargas, mas a posição do governo brasileiro não tem levado em consideração os componentes políticos da medida.
“Acho que o governo está tentando negociar, mas de maneira muito estreita, mais do que de qualquer outra negociação em curso ou que aconteceu entre outros países e os Estados Unidos. A negociação com a Europa também envolveu um conjunto de componentes valorativos”, afirma.
Já Gustavo Blum, que é analista geopolítico e pesquisador convidado no Geneva Graduate Institute, defende que o país tentou negociar com os Estados Unidos, mas o processo não avançou por conta da lógica “maximalista” do governo Trump, onde há pouca ou nenhuma margem para concessões.
“O Brasil não fez uma abertura total e completa, o governo buscou encontrar soluções sem prejudicar setores estratégicos da economia brasileira”, afirma.
Blum defende que o tarifaço ocorre num contexto em que os Estados Unidos buscam aumentar sua influência na América Latina, mas questiona a efetividade da medida.
“Existe uma lógica neste processo, mas que é pautada pela inconstância”, afirma. Ele menciona que o recente telefonema entre Lula e o líder chinês Xi Jinping, onde um possível acordo entre o Mercosul e a China foi discutido, mostra como o tarifaço pode produzir um efeito reverso ao buscado pelos americanos.
O professor Carlos Poggio destaca que não é possível fazer uma comparação direta entre as outras negociações bilaterais dos Estados Unidos e um possível acordo com o Brasil, já que elas envolviam países com uma relação geopolítica e econômica muito mais importante com os americanos.
“Além disso, no caso de negociações com a Europa e Japão, por exemplo, não havia o componente político, que há no caso brasileiro”, ressalta.
Para Poggio, o país não tem margem de negociação, considerando que as tarifas são utilizadas pelo governo americano para conseguir concessões unilaterais e um alinhamento quase incondicional de outros países, além de serem pouco efetivas para manter as relações comerciais estáveis.
“Qualquer negociação com Trump é muito efêmera. Qualquer governo futuro pode anulá-la porque não tem nada que passa pelo Congresso”, explica.
The Guardian - World News
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2026-08-01 04:00:47 (2 weeks ago)
‘A towering piece of monoculture’: how The Odyssey discourse has dominated this summer
Christopher Nolan’s smash hit epic has continued to excite and enrage everyone from rightwingers to academics, an old-fashioned throwback to a uniting big-screen event
The Odyssey: jaw-dropping action, dark magic and dolphin cameos – discuss with spoilers
Go woke, get rich: why rightwing hate campaigns don’t affect the box office
If a high-profile academic is reviewing a movie for the London Review of Books, that movie in question must be making some kind of mark on some kind of culture. And if people are actually reading a movie review in the London Review of Books, and writing thinkpieces in disagreement or favor of said movie or its review, that movie may actually be a cultural phenomenon.
Normally, volume of discourse about a movie should not be mistaken for a sign that people are actually seeing it. Sometimes online factions just have a bored fixation not shared by the rest of the world. But Christopher Nolan’s The Odyssey has some major receipts at the box office, too: the movie has already outgrossed Oppenheimer, Nolan’s last movie, itself a shockingly popular movie for adults. Though The Odyssey’s audience skewed male in its first weekend, by its second its gender split was closer to 50/50, suggesting reach beyond the stereotypically male-driven action-adventures. It’s also reaching out to older moviegoers, an endangered demographic in a summer where under-25s have driven the success of Obsession and Backrooms. Three-quarters of The Odyssey’s audience has been over 25, while memes inspired by the movie (most popular: Matt Damon’s anguished face portraying Odysseus listening to the sirens’ song and Robert Pattinson’s slimy suitor demanding that “someone get these BEGGARS out of here!”) have indicated that younger people are paying attention too.
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The Guardian - World News
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2026-08-01 04:00:47 (2 weeks ago)
Knickers in a twist: why M&S selling crotchless panties isn’t as outrageous as it seems
Some have called it ‘S&M’, but partnership with Ann Summers is less a scandal than another step in a century of evolving underwear trends, experts say
The news that Marks & Spencer is selling Ann Summers crotchless knickers on their website has been greeted – as might be expected – with outrage online, being described as everything from “tawdry” to “S & M”.
But it could be this is just the latest evolution in what the UK’s biggest underwear retailer has available for the smalls drawer. In recent years, the store has sold vastly different options through its own products, ranging from full-brief knickers to thongs, period knickers and those that can be used by women who wear stomas. The introduction of other brands in clothing came five years ago, with underwear included. Ann Summers – which is selling bras and chemises as well as knickers on the M&S website – lines up alongside lingerie brands including Pour Moi and Calvin Klein.
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The Guardian - World News
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2026-08-01 04:00:46 (2 weeks ago)
What makes a good comic novel? Andrew Sean Greer on the joy of funny writing
The Pulitzer-winning author of Less and Villa Coco explores the art of writing humour – plus 10 of the best novels to make you laugh
In March 2020, when the mayor of San Francisco instructed all citizens to remain in their houses due to a pandemic, the first thing I did was order all the books of Agatha Christie. I was not alone; I think many of us immersed ourselves in reliable narratives to drown out the chaos. It did not matter if it ended in marriage or murder; the reliability was what mattered. Later when I realised I would need to hole up for some time, my reading shifted to a different kind of novel. And because, like Christie, our world has an endless supply of new terrors, it is the comic novel that still fills my reading hours.
Nobody knows what a comic novel is. And once you start discussing it, all the fun runs out. EB White compared it to dissecting a frog (you’re left with innards and a dead frog) but I would compare it to turning all the lights on at a party: everyone looks terrible and you’ve ruined the party. Most would agree, of course, that Wodehouse wrote comic novels, but I turn to books hardly anybody would classify that way – Moby-Dick by Herman Melville, for instance – that yet seem to me to be a hoot. I think they are books that decide something is funny, as Jerry Seinfeld once defined comedy. In Moby-Dick, it’s a coin nailed to a masthead. In Vladimir Nabokov’s Pale Fire, it’s the worst best poem you’ve ever read. And yet we feel we’re getting at something the most solemn narratives aim for: an understanding of the human condition, of grief, of love, of death. All the big stuff. The comic novels I love are books that could just as easily have been tragedies. It is simply that the author has decided it’s funny.
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Globo News - Mundo
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2026-08-01 04:00:31 (2 weeks ago)

O que foi a guerra no Paraguai?
A Guerra do Paraguai, o maior e mais sangrento conflito armado da história da América Latina, voltou ao centro de uma disputa diplomática entre Brasil e Paraguai nesta semana.
A crise foi desencadeada após o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmar, na última sexta-feira (24), que "um belo dia o Paraguai resolveu invadir o Brasil".
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A fala ocorreu durante um evento no interior de São Paulo, em que o presidente fala sobre a importância de investimentos na indústria de defesa brasileira.
"A gente gosta de paz, mas a gente não pode se esquecer que um belo dia o Paraguai resolveu invadir o Brasil. Invadiu Corumbá, ao mesmo tempo invadiu o Uruguai, invadiu a Argentina. E aquela guerra que parecia que era nada durou cinco anos", disse Lula.
A declaração foi interpretada por autoridades paraguaias como uma simplificação das causas do conflito e provocou reações imediatas no país vizinho.
Nesta quinta-feira (30), o governo do presidente Santiago Peña convocou o embaixador brasileiro em Assunção, José Antônio Marcondes de Carvalho, para prestar esclarecimentos sobre o episódio.
O Congresso paraguaio também aprovou manifestações de repúdio às declarações do presidente brasileiro.
A repercussão reacendeu um debate histórico que, mais de 160 anos após o fim da guerra, continua sensível no Paraguai e cercado de interpretações divergentes sobre as origens e a condução do conflito — muitas delas em desacordo com a versão que, por décadas, foi ensinada nas escolas.
Guerra de versões
Guerra do Paraguai que dizimou cerca de 70% da população paraguaia.
Domínio Público
A Guerra do Paraguai durou de dezembro de 1864 a março de 1870. De um lado estava a pequena República do Paraguai, com cerca de 400 mil habitantes. De outro, a Tríplice Aliança formada por Brasil, Argentina e Uruguai — juntos, somavam pouco mais de 11 milhões de habitantes.
O resultado foi arrasador. Calcula-se que a população paraguaia tenha se reduzido para menos de 190 mil pessoas. "90% dos homens morreram", afirma o historiador Francisco Doratioto, professor aposentado da Universidade de Brasília (UnB).
"Do sexo masculino, sobraram apenas idosos e crianças."
Mas ao longo de pelo menos duas décadas, a maior parte dos estudantes brasileiros aprendeu uma história errada sobre o conflito.
A versão mais contada pelos professores de História era aquela popularizada pelos ideólogos de esquerda que faziam oposição ao regime militar que comandou o Brasil durante a ditadura, de 1964 a 1985.
Com foco em uma aversão ao imperialismo estrangeiro e qualquer interferência das grandes potências nos destinos sul-americanos, vendia-se a narrativa de que o conflito do século 19 havia sido causado, financiado e indiretamente capitaneado pela Grã-Bretanha.
Nessa história, o Paraguai ascendia como um país que caminhava para ser considerado desenvolvido, com industrialização, justiça social e uma produção de riquezas sem igual, de forma independente, configurando assim uma exceção naquele contexto de novos países americanos que estavam conseguindo autonomia frente aos colonizadores a preço de uma dependência econômica de nações ricas.
Vendo-se ameaçados por aquele paisinho que se tornaria um concorrente de sua influência, sobretudo no Brasil e na Argentina, os ingleses despejaram dinheiro e reforços bélicos. O resultado: um massacre que teria condenado ao Paraguai à pobreza e ao subdesenvolvimento. Fim do sonho sul-americano.
Doratioto, contudo, questiona essa versão. "Onde está qualquer documento que prove que foi a Inglaterra? Não existe um documento oficial, não existe nada que mostre que o governo inglês tinha interesse em fazer uma guerra na região", disse em entrevista concedida à BBC News Brasil em dezembro de 2024.
A visão contemporânea que se tem do conflito, deflagrado oficialmente com a declaração de guerra do Paraguai ao Brasil em 13 de dezembro de 1864, véspera da invasão das forças do país vizinho à então província do Mato Grosso, é aquela que foi construída por historiadores como o próprio Doratioto depois de minuciosa pesquisa em documentos históricos paraguaios, brasileiros, argentinos, uruguaios e ingleses.
Em 2002, o historiador lançou seu mais conhecido livro: Maldita Guerra: Nova História da Guerra do Paraguai, consolidando-se como autoridade no tema. Outros estudiosos que foram reconhecidos pela reescrita da história dessa guerra foram os historiadores Ricardo Salles (1950-2021) e, de forma pioneira, Moniz Bandeira (1935-2017).
Segundo Doratioto, a versão outrora ensinada no Brasil acabou se tornando a mais conhecida e difundida no país, sobretudo por conta da ditadura militar. E seu registro mais popular foi o livro Genocídio Americano: A Guerra do Paraguai, publicado em 1979, de autoria do jornalista Júlio José Chiavenato.
"Ele não é historiador e comete erros de metodologia que qualquer aluno de graduação [se o fizesse] não seria aprovado na matéria", aponta Doratioto.
"Mas tem o grande mérito de reviver o tema que estava abandonado pelos historiadores e por militares que vinham com uma visão ufanista e oficial da guerra."
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Foto antiga mostra o Exército brasileiro na Guerra do Paraguai.
Domínio público
Nessa obra, nota-se que o autor tenta passar sua indignação pelas crueldades cometidas pela guerra. "Ele vai pelos corações e ganha pela emoção", analisa Doratioto. "Na época, ao ler aquilo, eu achei correto."
Tanto que o historiador foi um dentre a imensa maioria de sua geração que contava essa versão nas salas de aula, quando professor de colégios em São Paulo.
"Eu ensinei isso", admite. "Lembro-me que tinha um aluno brilhante que, no final de uma aula, me perguntou: mas, professor, se a Inglaterra queria acesso ao mercado paraguaio e fez a guerra para ter esse acesso, qual era a lógica de destruir esse mercado?"
O revisionismo que trouxe à tona essa narrativa, na época, tinha um foco: desmoralizar os militares que autoritariamente chefiavam o país, segundo o historiador. E, de quebra, criticar a influência imperialista de forças estrangeiras.
"No momento histórico em que aquilo foi escrito, em pleno regime militar, os setores democráticos da sociedade tinham perdido o espaço", contextualiza.
"De repente apareceu um livro que dizia que o Caxias, que é o patrono do Exército brasileiro, tinha feito praticamente crimes de guerra, mandando jogar cadáveres coléricos no rio Paraguai para contaminar tropas paraguaias", comenta Doratioto. "O livro desmoralizava os ícones do regime militar. Dava à guerra ideológica uma vantagem contra o regime militar."
Nesse exemplo trazido pelo historiador, a narrativa é de que o marechal Luís Alves de Lima e Silva (1803-1880), o Duque de Caxias, que comandava as tropas brasileiras no Paraguai, teria determinado que os corpos daqueles que haviam morrido por uma epidemia de cólera que matou 4 mil de seus soldados fossem jogados no rio Paraguai, nos arredores de Humaitá, para que contaminassem os soldados paraguaios entrincheirados a quilômetros ali em uma guerra biológica.
Mas Doratioto aponta contradições: a primeira, de cunho geográfico. O sentido em que corre o rio é contrário ao que faria sentido nessa narrativa. "Os cadáveres nadaram contra a corrente? Isto é absurdo", provoca o historiador.
O outro é o fato de que os militares tinham o costume de queimar ou enterrar os que morriam durante as campanhas. "Como era uma região pantanosa, a água do rio acabou contaminada. E isso provocou a epidemia que matou ainda mais soldados brasileiros", explica ele.
Em carta destinada à mulher, Caxias lamentou que havia perdido "um exército" antes mesmo de entrar em combate, já que quase 4 mil soldados brasileiros morreram de cólera no episódio.
Outro problema da narrativa difundida por Chiavenato foi pintar o Paraguai como um país em outro patamar de desenvolvimento, com industrialização avançada, ferrovias e uma sociedade baseada na justiça social.
"Indústria pesada no Paraguai em 1864? Praticamente não existia. Tinha uma fundição. Protossocialismo? Como protossocialismo? Era uma estrutura de exploração do camponês que colhia erva-mate e mesmo pela lógica marxista havia uma, entre aspas, mais-valia apropriada pelo Estado paraguaio do camponês", exemplifica.
Para Doratioto, a ideia de mirar no imperialismo inglês e vilanizá-lo pelas crueldades da guerra também encontra justificativa no cenário da ditadura.
A esquerda ideológica brasileira tinha como inimigo o imperialismo norte-americano, pois os Estados Unidos apoiaram o golpe de 1964 e os governos militares da região. Assim, mudava-se o protagonista, mas havia uma mesma semântica para configurar o "inimigo".
Se essa versão revisionista da história se tornou popular no Brasil por conta da esquerda, o curioso é que na Argentina ela se consolidou pela direita.
"[No país vizinho, essa narrativa] É basicamente o pensamento autoritário da direita xenófoba que vem desde as década de 1920 e 1930, um pensamento que se constrói contra os ingleses, contra o imperialismo inglês", afirma. "E no Brasil ele é reciclado frente a um sentimento anti-Estados Unidos."
Por que a guerra?
Detalhe do quadro Batalha do Avaí, óleo de Pedro Américo sobre um dos últimos episódios da guerra do Paraguai, ocorrido em 11 de dezembro de 1868
Reprodução/Museu de Belas Artes
Desde a sua independência, em 1811, o Paraguai vivia uma situação atípica. Encurralado e sem acesso ao mar, tinha dificuldade para escoar internacionalmente seus produtos — erva-mate e madeira, basicamente.
No centro do continente e sem oferecer as riquezas que eram importantes no mundo colonial, ou seja, metais preciosos, o Paraguai já havia experimentado um certo isolamento durante o domínio espanhol. Isso impactou na formação de sua sociedade.
"Era e ainda é a única sociedade na América do Sul bilíngue, com a cultura guarani entranhada na cultura do colonizador", exemplifica Doratioto.
Além disso, a população feminina era maior do que a masculina. Isso se dava justamente porque, com a falta de ouro e prata, o território acabou se tornando ponto de passagem para o contrabando — as mulheres se fixavam, mas os homens iam e vinham.
Com a independência das antigas colônias hispânicas, a elite de Buenos Aires "tentou se tornar um centro de poder", explica o historiador. "Eles buscavam manter subordinadas a ela todas as províncias do antigo Vice-reino do Rio da Prata, ou seja, Uruguai, Bolívia e Paraguai", diz ele.
O Paraguai se recusou e acabou sozinho.
No comando do país estava o ditador Gaspar de Francia (1766-1840). "Ele estabeleceu uma ditadura impressionante, quase surrealista", analisa Doratioto. "Para se ter uma ideia, ele rompeu com Roma e estabeleceu uma Igreja Católica própria. E proibiu casamento interculturais, prendeu parte da elite…"
O isolamento sul-americano só fortaleceu seu regime, pois acabava justificando a necessidade de seu poder autoritário e centralizado.
Seu sucessor foi Carlos Antonio López (1790-1862) que, segundo Doratioto, "tinha uma visão muito clara da situação" complicada que enfrentava o país. "Ele tenta abrir o Paraguai, controladamente", comenta.
Nesse processo, ganhou o apoio do Império Brasileiro. Que também tinha seus interesses: não queria que a Argentina fosse tão poderosa, no xadrez geopolítico que se desenhava na América do Sul.
López decidiu criar uma elite preparada em seu país. Financiou o envio de duas dezenas de jovens para estudar na Europa, contratou uma empresa inglesa para representar os interesses paraguaios junto às grandes potências e começava a investir em material bélico. Ele também contratou técnicos ingleses para fazer obras pontuais de infraestrutura em seu território.
"Mas o Paraguai era um país agrícola, não tinha escolas em nível superior, tinha apenas uma fundição de ferro e uma pequena ferrovia que ligava Assunção a um acampamento militar e que foi a terceira da América Latina", aponta.
Francisco Solano López (1827-1870) foi o autor da declaração de guerra que tornaria o conflito entre os países sul-americanos inevitável.
Domínio público
A modernização experimentada pelo Paraguai, segundo o historiador, tinha finalidades apenas militares, de defesa. Não visava a uma sociedade igualitária ou à justiça social.
Com sua morte, a presidência foi assumida pelo filho, Francisco Solano López (1827-1870). Que, menos pragmático do que o pai, acabou sendo o autor da declaração de guerra que tornaria o conflito entre os países sul-americanos inevitável.
De acordo com o historiador Moniz Bandeira, a motivação do conflito foi de natureza econômica. Naquela década de 1860, o isolado Paraguai estava sem caixa para continuar o tímido porém calculado projeto de modernização empreendido por López pai.
"Para aumentar as exportações, o Paraguai precisava achar uma saída para o mar", resume Doratioto. O historiador, contudo, comenta que mesmo se esse acesso fosse possível o país teria dificuldades. "Era um pequeno país de agricultura de técnicas medievais. E nenhum agricultor [paraguaio] tinha interesse em produzir mais para a exportação. Eram agricultores de subsistência, em um nível muito baixo."
O investimento inglês
Um dos achados de Doratioto que indicam que a Grã-Bretanha não queria uma guerra na América do Sul é uma carta do diplomata Edward Thornton, então o embaixador britânico na Argentina e no Paraguai — baseado em Buenos Aires, já que Assunção não contava com este posto.
Dirigindo-se ao chanceler paraguaio José Berges, o inglês escreveu que "a Inglaterra também está em atritos com o Brasil" e que "particularmente sim, se puder servir, no mínimo que seja, para contribuir para a reconciliação dos dois países [Paraguai e Brasil], espero que Vossa Excelência não hesite em me utilizar".
A carta é datada de 7 de dezembro de 1864, cinco dias antes da declaração de guerra emitida pelo governo paraguaio.
Um dos principais pontos da historiografia revisionista é dizer que a prova do interesse e do envolvimento inglês seria o fato de que houve financiamento da potência europeia nas campanhas brasileira e argentina que acabariam dizimando metade do Paraguai.
De fato, esses empréstimos ocorreram. Mas Doratioto tem argumentos para contextualizar esse fato. "A lógica do capital não tem nacionalidade nem patriotismo. O capital está em busca de remuneração e garantia", pontua. "Banqueiros ingleses emprestaram para o Brasil e para a Argentina, claro. Vão emprestar para o Paraguai, um país isolado no interior do continente, sem acesso ao mercado externo, sem ouro e fazendo guerra contra três países por iniciativa própria?"
Ele ainda lembra que esse financiamento inglês nem foi tão representativo como se imagina para o lado brasileiro da guerra. Segundo o historiador, cerca de 12% das despesas de guerra do Brasil foram bancadas com empréstimos estrangeiros, apenas.
Violência militar
Prisioneiros de guerra do Paraguai em imagem de 1869; solados no alto são brasileiros
Domínio Público
Sobre as atrocidades da guerra cometidas por Duque de Caxias e suas tropas, Doratioto concorda que elas foram ressaltadas para manchar a imagem do patrono do Exército no contexto da ditadura. Mas ele as confirma.
Em seu livro, por exemplo, o historiador conta que os combatentes brasileiros chegaram a matar crianças que se passavam por soldados nas trincheiras paraguaias.
"Guerra é sempre uma selvageria. As acusações contra o Caxias fazem parte de uma dialética da guerras: todos os chefes militares em combate deram ordem para matar, até a Segunda Guerra vencia uma guerra quem matava mais", argumenta.
Doratioto avalia que a figura histórica do Duque de Caxias "até hoje não foi suficientemente explorada pelos historiadores". E entende que "desmoralizá-lo", na época da ditadura, "era desmoralizar o regime militar".
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